Modelo 3D - Cálice funerário Jê

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Laboratório de Arqueologia do MAC

O laboratório do MAC vem sendo utilizado para a curadoria e inventário do acervo do museu, para análise de coleções de uma pesquisa de doutorado, e para aquelas pesquisas  que tem o apoio institucional do MAC, que também têm utilizado o laboratório para fazer curadoria e análise do material coletado.
O laboratório foi montado e organizado a partir de uma oficina, elaborada a partir de setembro de 2009 e executada cotidianamente entre 15 de janeiro e 18 de fevereiro de 2010. Foi coordenada pela conservadora, restauradora e arqueóloga Sílvia Cunha Lima, e contou com a participação de Gilmar Henriques, curador da exposição, e dos arqueólogos Bruna Rocha e Vinícius Honorato.  Foi voltada sobretudo para jovens da cidade de Pains, que participaram de atividades de curadoria, conservação e restauro. Nesta oficina foi selecionado um auxiliar de pesquisa arqueológica para integrar a equipe do MAC.
 
Clique na imagem para ampliar.

domingo, 24 de abril de 2011

Educação Patrimonial no MAC


O projeto inicial de educação patrimonial do MAC foi elaborado e executado entre os meses de novembro de 2009 e abril de 2010, contemplando a visita a moradores, o levantamento e processamento de fontes bibliográficas, e elaboração de um relatório que foi apresentado ao IBRAM.
No dia 12 de abril de 2010, foi feita uma oficina direcionada para todos os professores de ensino fundamental e médio da cidade de Pains. Esta oficina contemplou a elaboração, impressão e distribuição de uma cartilha pedagógica para os professores participantes.
Foi feita também uma oficina, intitulada O Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco (MAC) e os Patrimônios de Pains ministrada por Tereza Parente, coordenadora do projeto de educação patrimonial e por Gilmar Henriques, curador da exposição permanente do MAC e coordenador do projeto de implantação.
Segundo Tereza Prente: "A expectativa é que esse primeiro contato sirva de estímulo para os professores começarem a trabalhar com o tema e que desenvolvam propostas de como trabalhá-lo em sala de aula e em articulação com o MAC. Desse modo, esperamos que os professores sejam mais do que visitantes do museu; que sejam colaboradores efetivos na elaboração do projeto Patrimônios de Pains. Estamos em busca de co-autores que possam sugerir outras/novas problemátivas para o museu."
E em 2011 vem o segundo módulo do projeto de educação patrimonial do MAC.


sábado, 23 de abril de 2011

XXIII Feira de Cerâmica de Minas Gerais




Nos dias 29 e 30 de abril e 1º. de maio acontecerá a 23ª edição da Feira de Cerâmica Minas Gerais, no Mercado Distrital do Cruzeiro em Belo Horizonte - MG.

Uma artista de Pains, Neide Nativa, parceira do MAC, estará participando da Feira com suas obras de arte. Vale a pena conferir.

Clique no cartaz para ampliar.

Promessas do Sol

Mais uma obra de Milton Nascimento que trata da questão indígena, Promessas ao Sol é uma canção cuja letra é uma resposta às visões estereotipadas que nós, brasileiros, temos destas sociedades. Tais visões têm em comum uma ferrenha negação da história: das contingências políticas e sociais resultantes de 500 anos de guerra, dominação e erradicação de culturas, os quais marcaram a "construção da pátria" Brasil.
Milton é acompanhado pelo grupo chileno Água, com Nelson Araya (voz, violão e bandolim), Leopoldo Polo Cabrera (voz e charango), Nano Stuven (flauta), Oscar Ratón Pérez (violão e bandolim), e Pedro Jara (percussão). A canção foi lançada em 1976 no álbum Geraes, que vendeu mais de 1 milhão de cópias.
Pois é, meus caros jovens do Alto São Francisco, o presente não é contínuo e nem só de Cláudia Leite e Luan Santana é feita a nossa música popular brasileira.


Promessas do Sol
Milton Nascimento & Fernando Brant

Você me quer forte
E eu não sou forte mais
Sou o fim da raça, o velho que se foi
Chamo pela lua de prata pra me salvar
Rezo pelos deuses da mata pra me matar

Você me quer belo
E eu não sou belo mais
Me levaram tudo que um homem podia ter
Me cortaram o corpo à faca sem terminar
Me deixaram vivo, sem sangue, apodrecer

Você me quer justo
E eu não sou justo mais
Promessas de sol já não queimam meu coração
Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?
Que tragédia é essaque cai sobre todos nós?

Leia também:

Um dia joguem minhas cinzas na corrente desse rio

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PT diz que fica com ambientalistas na discussão do Código Florestal

Julio Cezar Garcia

Excluída da reunião das lideranças partidárias com o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), para discutir as mudanças no Código Florestal, a bancada do PT revelou, na quinta-feira, dia 14, sua contrariedade com o texto de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator do projeto. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. Já o site oficial da liderança do PT informou, nesta sexta-feira, que o partido não aceitará uma proposta de alteração do Código Florestal que anistie dívidas por desmatamento ilegal e dispense a reserva legal das propriedades rurais - e que ficará com as propostas dos ambientalistas na votação do novo Código.
Segundo o líder do partido na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP), o governo fechou posição a respeito das mudanças na legislação ambiental e o partido deve seguir o seu posicionamento. "Há uns 15 dias, o PT decidiu que só permitiria a votação das mudanças do Código Florestal caso o governo se posicionasse. Hoje temos a notícia de que o governo se posicionou", conta o deputado. "A bancada do PT terá uma posição firme para um relatório equilibrado. Algo que anistie a desmatador, que não exija a reserva legal e que não mantenha as APPs (Áreas de Proteção Permanente) não terá nossa aceitação", afirmou. 
Na próxima semana o governo enviará para o relator e para as lideranças de partido na Câmara uma proposta com sugestões de mudanças para o código. "O governo não vai mandar uma medida provisória, um projeto, emendas ou coisa assim. Vai enviar sugestões ao relator", disse Teixeira. 
Ainda segundo o site oficial da liderança do PT, o líder não adiantou se o partido fechará questão para a votação do novo código. "Quanto mais a nossa proposta se aproximar da proposta do relator, mais teremos condições de vencer. Esse é o cenário com o qual trabalhamos", disse. Segundo Paulo Teixeira, o partido já tem uma "unidade sobre as questões do Código Florestal" e agora irá buscar essa unidade na base do governo no Congresso. "Queremos fazer mudanças cuidadosas", afirmou. 
Para Paulo Teixeira, a proposta construída dentro do Congresso foi "pautada pelas multas ambientais, pelos deveres ambientais que alguns agricultores não cumpriram e, por isso, estavam desesperados que mudassem o código". "Não era uma visão nacional da sociedade brasileira. Ainda que estejamos sensibilizados com o problema dos agricultores, mudar um código precisa de várias visões", concluiu.

Acordo fechado  
Já o site do jornal O Estado de S. Paulo garantia, na sexta-feira, que os ambientalistas e os ruralistas da Esplanada dos Ministérios fecharam acordo para negociar sem rachas internos a reforma do Código com o Congresso. Na polêmica sobre as Áreas de Proteção Permanente (APPs), por exemplo, o Ministério do Meio Ambiente concordou em reduzir para 15 metros as APPs às margens já degradadas dos rios de até 10 metros de largura. Por sua vez, a Agricultura aceitou manter os 30 metros nas margens hoje preservadas do desmatamento. 
“O governo tem de ter uma estratégia de diálogo com o Congresso”, argumentou o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ao admitir que não seria possível negociar com ministros brigando entre si. 
Segundo o Estado, além das APPs às margens dos rios, o governo também se entendeu com os produtores rurais em outro conflito. A Reserva Legal (parcela da propriedade que deve manter a vegetação nativa) não precisará ser averbada em cartório. A proposta é que este processo seja simplificado, bastando uma declaração ao órgão ambiental. 
A preservação das encostas também foi revista pelo governo, informa o jornal. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) argumentava que o Código Florestal empurraria para a ilegalidade toda a produção nacional de café, uva e maçã. Pelo novo cálculo, ficarão preservados topos dos morros e encostas com inclinações acima de 45 graus, onde raramente se cultivam essas culturas. O PT destacou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para negociar as polêmicas com os partidos da base aliada, em busca de um consenso político para votar o novo Código. 
Apesar de todas essas informações sobre entendimentos entre governo e lideranças partidárias, a Câmara Conciliatória criada com objetivo de buscar consenso dos deputados diante dos pontos mais polêmicos das propostas, está convocada para se reunir novamente na terça-feira, dia 19. Seus membros elegeram sete pontos críticos que devem ser discutidos em busca do consenso, mas só um foi discutido até quarta-feira, dia 13 de abril. Até a próxima reunião, na terça, é possível que a proposta do governo já tenha sido anunciada pela presidente Dilma Rousseff, que retorna domingo de viagem à China.

Publicado no ISA em 15/04/2011 - 13:49

Patriarca de índios dos Andes viveu há 5.000 anos, diz DNA

Reinaldo José Lopes
Editor de Ciência

Pesquisadores brasileiros, junto com colegas da Bolívia, do Equador e do Peru, estão começando a usar o DNA para investigar a pré-história das poderosas civilizações dos Andes que floresceram antes de Colombo
Em comunidades atuais habitadas por descendentes dos incas, eles flagraram a assinatura genética do que o pesquisador Fabrício Rodrigues dos Santos, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), chama de um "Adãozinho andino". 
A comparação com o personagem bíblico se justifica porque a assinatura genética vem do cromossomo Y, a marca genética da masculinidade em mamíferos como nós. 
Todo pai lega uma versão de seu cromossomo Y aos filhos do sexo masculino. E são justamente mutações nas "letras" químicas desse cromossomo que ajudam a diferenciar linhagens de homens ligadas a grandes eventos históricos, como migrações, expansões populacionais e guerras.
Foram dados do cromossomo Y, por exemplo, que sugeriram o brutal impacto reprodutivo do conquistador mongol Gêngis Khan (1162-1227) sobre a população do mundo: nada menos que 12 milhões de homens carregariam uma variante de seu Y.

Ivan Luiz/Arte

MODÉSTIA 
O diminutivo empregado por Santos já mostra que o anônimo patriarca andino provavelmente não realizou um feito tão impactante. 
Segundo cálculos dos pesquisadores, ele teria vivido há pouco mais de 5.000 anos. Pelo que os dados indicam até agora, ele possui descendentes espalhados por nove comunidades indígenas, oito delas nos Andes peruanos e uma na Bolívia. Em algumas populações estudadas, seus "filhos" chegam a ser perto de 70% dos homens. 
O dado é importante porque até agora os geneticistas tinham sofrido para achar variantes do cromossomo Y que ajudassem a contar a história das populações da América do Sul. 
As versões bem estudadas do cromossomo valem só para grandes divisões populacionais, que não dizem muita coisa sobre a origem de tribos ou civilizações. 
A coisa começa a mudar no novo trabalho, cuja primeira autora é Marilza Jota, colega de Santos na UFMG. A assinatura genética que os cientistas identificaram é sutil, a troca de uma única "letra" química do DNA, um C (citosina) que virou um T (timina). 
O momento em que essa linhagem se originou é, em si, sugestivo: trata-se da época imediatamente anterior ao avanço da agricultura do milho nos Andes. Os descendentes do portador do Y poderiam, em tese, ter se multiplicado graças a essa nova tecnologia agrícola. 
"Quem sabe não achamos outro marcador que ajude a contar a história de ancestralidade e descendência dos incas? É disso que estamos atrás agora", afirma Santos, para quem os dados sugerem que a meta pode ser viável. 
O estudo sobre o patriarca andino será publicado numa edição futura da revista científica "American Journal of Physical Anthropology". O trabalho integra o Projeto Genográfico, iniciativa patrocinada pela National Geographic para mapear a história humana com a ajuda dos genes de povos indígenas.

Publicado na Folha de São Paulo em 20/04/2011 - 10h54 

Veja um vídeo de divulgação da IBM sobre o Projeto Geonográfico:

Uma doação Semilunar


O MAC tem recebido doações de materiais arqueológicos regularmente. Via de regra são cidadãos que visitam a exposição e que desejam contribuir para a preservação do patrimônio arqueológico. Mais de 80% das doações são artefatos de rocha polida, machados ou mãos de pilão, encontrados na maior parte das vezes por trabalhadores na lida diária do campo.
Todas estas doações são preciosas e são um importante retorno da comunidade regional ao trabalho de divulgação científica empreendido pelo MAC. Algumas são especiais e, ainda que isoladas, elevam a preciosidade de nosso acervo. Foi o caso de um belo exemplar de um machado semilunar, cuja lâmina tem a forma de uma meia lua.
É um artefato de grande apelo estético e alto valor científico, pois está inserido em um restrito grupo de tipos de artefatos arqueológicos que podem ser vinculados a determinadas famílias lingüísticas do tronco Macro-Jê. O MAC possui apenas outro artefato semelhante, encontrado no município de Iguatama – MG.
O machado foi encontrado pelo Sr. Sandrino Rodrigues, em sua propriedade no município de Formiga. O MAC foi ao local do achado, em uma caverna calcária, e constatou a presença de um diversificado registro arqueológico, na forma de fragmentos de vasilhames cerâmicos, estruturas de combustão e artefatos líticos polidos. Foi elaborado um relatório técnico e preenchida a ficha de registro do sítio arqueológico, denominado Semilunar, estes documentos foram encaminhados à 13ª. SR. IPHAN para serem integrados ao Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA).


Sabemos por fontes escritas, iconográficas e orais que tais artefatos tinham um grande valor cerimonial para vários grupos falantes de línguas da família Jê e do tronco lingüístico Macro-Jê. Um exemplo recente são os Krahô ou Mehim, do nordeste do Estado do Tocantins. Julio César Melatti, antropólogo da Universidade de Brasília (UNB) relata a luta deste grupo por reaver um machado semilunar que integrava o acervo do Museu Paulista:

" [Os Krahô] em 1986 empenharam-se em uma reivindicação (...) de terem de volta o machado de pedra de lâmina semilunar que haviam cedido ao Museu Paulista havia muitos anos. Depois de muita discussão com a direção da Universidade de São Paulo (sob cuja jurisdição está o Museu), debates pelos jornais e resolução de impasses jurídicos, o machado foi devolvido. O interessante de tudo isso é que, para aqueles Krahô que mostraram o machado a Julio Cezar Melatti ao passarem por Brasília, levando-o de volta para a aldeia, ele já não era mais um dos muitos machados arqueológicos que os índios encontravam no chão, pondo-lhes novos cabos, ornamentos e pinturas: ele era o machado por excelência, aquele que no longínquo passado cantava, conforme um de seus mitos, o machado com que haviam matado o chefe dos Cokãmkiere, um povo mítico, conforme outra de suas narrativas."

Atividades no Laboratório do MAC

Nesta semana o MAC recebeu o arqueólogo Márcio W. Castro que veio fazer atividades de curadoria e análise do material arqueológico resultante das escavações do sítio arqueológico Carrapatos, localizado no município e Guarani - MG. Trata-se de um sítio pré-histórico em que foram encontrados fragmentos de vasilhames cerâmicos e carvões na superfície e subsuperfície de um terreno a céu aberto, em um patamar junto ao fundo de um vale do córrego Carrapatos.


sábado, 16 de abril de 2011

Linguagem humana tem origem na África, afirma pesquisa

Reinaldo José Lopes
Giuliana Miranda
de São Paulo


O continente africano, além de berço da espécie humana, também teria sido o local em que um idioma de verdade, com gramática e vocabulário complexos, foi falado pela primeira vez na história.
A ideia está sendo defendida em um novo estudo, que analisou mais de 500 línguas de todas as partes do mundo em busca do caminho que a "invenção" da linguagem teria seguido planeta afora.
Segundo o trabalho, publicado nesta semana na revista americana "Science", a variedade de fonemas --a menor unidade sonora, que permite a diferenciação entre as palavras-- altera-se conforme a localização geográfica. 
A maior quantidade de fonemas se concentra no seria o "marco zero" das línguas, o centro-sul da África
Conforme os idiomas vão se afastando dessa aparente fonte comum, eles vão ficando empobrecidos em fonemas - com menos tipos de vogais, consoantes e tons (variantes "musicais" das sílabas, comuns em línguas como o chinês, por exemplo).

Editoria de Arte/Folhapress

COISA VIVA  
O autor da pesquisa, Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland (Nova Zelândia), aparentemente está construindo a carreira com base na ideia de que línguas podem funcionar de forma idêntica a coisas vivas
Na década passada, ele usou métodos normalmente utilizados para estudar o parentesco evolutivo entre seres vivos para propor uma data para a origem das línguas indo-europeias - basicamente quase todas as línguas da Europa mais as de regiões como Índia, Paquistão e Irã. 
Nesse estudo, ele estimou que esse tronco de línguas "brotou" pela primeira vez há 9.000 anos. Isso poderia ligá-las à expansão de agricultores da atual Turquia rumo à Europa, substituindo os antigos habitantes da região. 
"É muito interessante, entre outras coisas porque muitos linguistas históricos aqui no Brasil, que estudam línguas indígenas, ainda não aplicam essas ideias à expansão de povos no passado", diz o geneticista Fabrício Rodrigues dos Santos, da UFMG
Segundo Atkinson, uma coisa já sabida é que, quanto maior a população que fala uma língua, maior o número de fonemas de dita cuja. 
Mas isso não significa que o chinês seja automaticamente a língua mais rica em fonemas do planeta. Faz muita diferença também o tempo que uma população grande fala certo idioma ± e nesse quesito a África parece ser imbatível, já que seres humanos modernos habitam o continente há bem mais tempo. O padrão, além do mais, bate com o da genética --os africanos também são geneticamente mais diversificados que o resto da humanidade. 
"E, de fato, eles possuem fonemas como os que envolvem cliques [estalos], aparentemente únicos", diz Santos. 
Atkinson usa os dados para propor um único "eureca" linguístico há uns 70 mil anos na África, que teria, inclusive, uma associação com os primeiros indícios de arte e adornos corporais, também datados dessa época. 
Segundo essa visão, a linguagem complexa teria sido uma das ferramentas centrais para que a humanidade moderna avançassem pelos continentes e acabasse suplantando, de algum modo, hominídeos como os neandertais da atual Europa.
Publicado na Folha de São Paulo em 15/04/2011 - 11h01


Veja Quentin Atkinson falando sobre as taxas de variação das palavras no tronco lingüístico indo-europeu.



IBRAM: "Ossadas de inconfidentes são identificadas"

Fonte: Ascom/Ibram
Mais de 200 anos após suas mortes no degredo, na África, três inconfidentes – José de Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota – ganharão lugar no Panteão do Museu da Inconfidência/Ibram, em Ouro Preto (MG), juntando-se aos outros 13 inconfidentes já sepultados no monumento.
O sepultamento será feito em 21 de abril, Dia de Tiradentes, às 9h30min, com a presença da presidenta Dilma Roussef, da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e do presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/Ministério da Cultura), José do Nascimento Junior, além do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, e do diretor do museu, Rui Mourão.
A identificação das ossadas exigiu anos de estudos e uma parceria entre história e ciência. Com o trabalho de especialistas em odontologia legal da Unicamp, o Museu da Inconfidência – que desde 1980 realizava pesquisas históricas sobre o caso – pôde comprovar que os ossos, repatriados da África para o Brasil nos anos 1930, são mesmo dos três inconfidentes.
Os estudos foram realizados por equipe da Unicamp chefiada pelo professor Eduardo Daruge, doutor em odontogia legal. “Através de todas as informações obtidas e por exames técnicos posso dizer que temos de 98% a 100% de certeza de que as ossadas são dos três inconfidentes”, afirmou Eduardo Daruge, em coletiva à imprensa realizada no auditório do Ibram, nesta sexta-feira (15/4).
Ao todo, 26 nomes estão associados à Inconfidência Mineira e têm seus nomes registrados no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Destes, 13 tiveram seus despojos identificados e estão sepultados no Panteão da Inconfidência. Com os despojos de José de Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota serão 16 inconfidentes identificados, os outros 10 têm paradeiro desconhecido. “Tudo o que pudermos acrescentar à história da Inconfidência Mineira é importante, até porque esses personagens (José de Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota) deram contribuição efetiva ao movimento”, explicou Rui Mourão.

Os inconfidentes identificados:

José de Resende Costa, pai (1728-1798) – Era capitão do Regimento de Cavalaria Auxiliar da Vila de S. João e fazendeiro em Arraial da Laje, hoje chamado Resende Costa (MG). José de Resende Costa, pai, foi preso em 1789, junto com seu filho de mesmo nome, e condenado à morte com outros inconfidentes. No degredo, foi contador e distribuidor forense até 1798, quando morreu. Seu filho voltou ao Brasil em 1803.
João Dias da Mota (1744 – 1793) – Nasceu em Vila Rica. Foi capitão do Regimento da Cavalaria Auxiliar da Vila de S. João e fazendeiro. Era amigo de Tiradentes. Morreu em setembro de 1793, nove meses após chegar a Cacheu, de uma epidemia que assolou a região.
Domingos Vidal de Barbosa (1761-1793) – Nasceu em Capenduva, de família abastada. Estudou medicina em Bordeaux, na França. Participou de forma discreta na conspiração. Encontrou-se com Thomas Jefferson (então embaixador na França e depois presidente americano) na Europa, quando teria obtido apoio à causa dos inconfidentes.

Museu da Inconfidência. Crédito: Sylvana Lobo/Ibram

Os 13 inconfidentes já sepultados no Panteão do Museu da Inconfidência:
Inácio José de Alvarenga Peixoto
Tomaz Antônio Gonzaga

João da Costa Rodrigues

Francisco Antônio de Oliveira Lopes

Salvador Carvalho do Amaral Gurgel

Vitoriano Gonçalves Veloso

Vicente Vieira da Mota

Antônio Oliveira Lopes

José Aires Gomes

Luiz Vaz de Toledo Pisa

Domingos de Abreu Vieira

Francisco de Paula Freire de Andrada

José Álvares Maciel


Leia mais no IBRAM: Veja o passo a passo do processo de identificação das ossadas.
Publicado no IBRAM em 15/04/2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nu Xingu

Aos 50 anos, Xingu vira 'ilha verde' cercada por desmatamento
 
Rodrigo Vargas
de Cuiabá


Criado em abril de 1961, o parque indígena do Xingu completa 50 anos com a maior parte de seus 2,8 milhões de hectares praticamente intactos, mas cercados por áreas de desmatamento por todos os lados.
Imagens de satélite mostram que o parque, com quase 6.000 índios de 16 etnias, vem assumindo cada vez mais as feições de uma "ilha" verde - em torno da qual surgem várias frentes de expansão urbana e agropecuária.
 
As foto tiradas pelo fotógrafo Valdir Zwetsch no parque indígena do Xingu estarão expostas na mostra Nu Xingu, na Galeria de Arte da Unicamp, em Campinas

Veja galeria da Folha de São Paulo de fotos do parque Xingu

Na lista de 43 municípios que mais desmatam a Amazônia, 7 fazem divisa com o parque. Entre 2000 e 2007, segundo o ISA (Instituto Socioambiental), área equivalente à de Alagoas foi desmatada na porção mato-grossense da bacia do rio Xingu.
Essa região fora do parque abriga 6,5 milhões de cabeças de gado, mais de 30% das áreas de soja em Mato Grosso e já atrai interesse por seu potencial hidrelétrico.
Nos últimos cinco anos, de acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, quatro pequenas usinas foram licenciadas.

ESPREMIDOS
Como a demarcação do parque indígena não incluiu nascentes dos principais rios, os índios são afetados por transformações do entorno. E dizem temer o futuro.
"Estamos espremidos e apavorados", diz Korotowi Ikpeng, 39, da etnia icpengue. Para ele, as mudanças já são perceptíveis na aldeia em que vive, no Médio Xingu.
"Antes, a gente via os peixes no fundo do rio. Hoje, os [rios] formadores do Xingu estão arenosos. O desmatamento também afetou a caça, cada dia mais difícil", diz.
O índio caiabi Pikuruk Kayabi, 29, diz que as divisas do parque foram no início fixadas sobre áreas de mata fechada. Hoje "é floresta de um lado, pasto e soja do outro".
A área das cabeceiras do Xingu chegou a ser incluída em uma categoria de proteção na proposta do zoneamento ambiental do Estado.
Na Assembleia Legislativa, porém, a bancada ruralista aprovou um substitutivo que considera a região como uma "área consolidada com predomínio de agricultura".
O desmate e a degradação dos rios, aliados a um crescimento da população indígena acima da média nas últimas décadas, formam um cenário de insegurança alimentar, diz a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que desde 1965 tem um programa de atendimento à saúde no Xingu.
Segundo a entidade, as terras para a agricultura tradicional foram reduzidas, fazendo com que seja cada vez mais difícil obter alimentos.

REDES SOCIAIS
Os desafios não se limitam à esfera ambiental, diz Awasi Kaiabi, 31, diretor de uma escola no Baixo Xingu.
Com 75% da população com menos de 30 anos, o local vive um conflito de gerações, conta ele.
"Os mais velhos querem preservar a cultura e são contra a entrada de coisas dos brancos. Já os jovens querem trazer novidades."
Além de antenas parabólicas, o universo tecnológico dos xinguanos já inclui computadores, sistemas de bate-papo via internet e a participação em redes sociais.
Awasi diz não ser contra a modernidade e afirma que o currículo da escola que dirige inclui informática.
"Há 50 anos, o parque estava isolado. Hoje, os brancos são nossos vizinhos. O que mais ensinamos a nossos alunos são noções de sobrevivência, enquanto índios, nessa situação."
 

Publicado na Folha de São Paulo em 14/04/2011 - 07h37
 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Minas só tem 1,3% dos sítios arqueológicos mapeados

Enviado por Amir Otoni

Falta de conhecimento dos locais que guardam vestígios do homem coloca em risco patrimônio histórico

Letícia Simões - Repórter

Apenas 1,3% dos sítios arqueológicos existentes em Minas Gerais estão catalogados, em um universo de mais de 127 mil que foram identificados por meio de um estudo inédito, desenvolvido pelo gestor de Patrimônio Arqueológico e pesquisador Alexandre Delforge. A falta de conhecimento dos locais que guardam vestígios da presença do homem desde milhares de anos atrás coloca em risco um patrimônio histórico de valor inestimável.

O objetivo do estudo, que ainda será divulgado em encontros científicos pelo Brasil, é justamente oferecer subsídios para o gerenciamento dos sítios, abrindo um acervo de informações que até então não haviam sido compiladas.

A metodologia adotada pelo pesquisador também pode ser empregada em outras partes do país. “Existem 127.863 sítios arqueológicos em Minas. Apenas 1.698 já foram catalogados”, aponta o pesquisador. O estudo foi apresentado na dissertação de mestrado em Geografia e Tratamento da Informação Espacial, na PUC Minas, e será disponibilizado pela instituição em sua biblioteca digital de teses e dissertações.

Gestor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Delforge diz que foi motivado pela precariedade dos dados até então disponíveis. “As informações não estavam sendo organizadas e a necessidade de saber onde estão esses sítios, ter ciência da ocorrência deles e uma ideia do total desse patrimônio nacional era urgente”, afirma. Ele utilizou um software já existente, o Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), para desenvolver a base de dados georreferenciados dos sítios arqueológicos.

“Além de informações de outras instituições, utilizei um programa de análise espacial para a cartografia e o estudo das características de localização dos sítios”, diz. O sistema, de acordo com Delforge, é uma forma de gerenciar um determinado acervo de sítios distribuídos por um território e visualizá-los a qualquer momento. “A partir de agora, o pesquisador tem o mapa desses locais. Antes, não se sabia da localização. E uma série de dados dispersos dificultava a análise. Com o mapa, chega-se ao sítio sem depender de informações adicionais”, explica.

O superintendente do Iphan em Minas, Leonardo Barreto, admite que o sistema poderá ser aplicado para todos os itens que compõem o patrimônio cultural nacional. “Será mais um instrumento de gestão para auxiliar o trabalho de preservação”, afirma. “A partir de agora, será possível alimentar os dados constantemente. A meta da pesquisa sempre foi mostrar que o sistema seria útil e importante para o gerenciamento do patrimônio nacional”, diz Delforge.


Relíquias a cada 5 km²
Dos 853 municípios mineiros, 627 não possuem sítios arqueológicos registrados. Isso não significa a inexistência deles, mas a falta de conhecimento, de acordo com o pesquisador Alexandre Delforge. “Todo município tem um sítio arqueológico. São 11.500 anos de ocupação do território de Minas. Os vestígios antigos são mais raros de serem encontrados”, afirma.

Delforge acredita que, por meio da amostragem que obteve durante o estudo, é possível dizer que existe no Estado uma média de um sítio arqueológico a cada cinco quilômetros quadrados. “Criar parâmetros é fundamental para não se perder esses locais. É preciso identificar cada sítio para saber a sua importância”, diz.

Na amostragem, de 860 sítios analisados, 448 (51,6%) estão em um raio de 3 mil metros dos rios principais. Outros 297 (34%) situam-se nos primeiros 1 mil metros de distância dos cursos d’água, o que representa um risco à preservação do patrimônio, principalmente por causa da instalação de empreendimentos como hidrelétricas e barragens em geral.

A região com a maior densidade de sítios, de acordo com o estudo, é a do Vale do Rio São Francisco, que se estende por quase todo o Estado. Nessa área estão os municípios de Lagoa Santa e Pains. Só no primeiro há mais de 200 sítios arqueológicos.

Sem mão de obra, pesquisas são prejudicadas

O baixo registro de sítios arqueológicos em Minas deve-se à extensão do território (586.528 quilômetros quadrados) e aos poucos pesquisadores da área. O paleontólogo Castor Cartelle, curador da coleção de paleontologia do Museu de Ciências Naturais PUC Minas, afirma que em uma única universidade europeia se encontra a mesma quantidade de pesquisadores voltados para os estudos arqueológicos que em todo o Estado. “Apenas Uberaba, Uberlândia e Belo Horizonte têm um volume mais significativo desses estudiosos. Os poucos que restam estão espalhados pelas instituições de pesquisa”, afirma.

Não há levantamentos precisos quanto ao número de arqueólogos em atividade no Brasil, mas estima-se que sejam cerca de 200. Em Minas, são aproximadamente dez arqueólogos atuando na UFMG, por exemplo.Segundo Cartelle, é necessário incentivar o estudo da arqueologia. “Só assim será possível vigiar e controlar o patrimônio arqueológico de Minas”, diz. Para ele, o sistema desenvolvido por Alexandre Delforge pode corrigir esse problema. “Os sítios vão sendo descobertos de tempos em tempos. Por isso, a preservação é tão difícil. Com a compilação dos dados, esse trabalho será largamente facilitado, além de permitir maior cuidado com o patrimônio e promover o conhecimento desse acervo aos responsáveis pela preservação”, afirma.

O promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, coordenador das promotorias de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico do Estado, diz que o Ministério Público Estadual formalizou um requerimento para que as diretrizes do licenciamento ambiental nos empreendimentos em Minas fossem fiscalizadas com maior vigor. “Essa ação foi necessária porque as empresas e as consultorias ignoravam a regra. Dessa maneira, o patrimônio cultural era deixado de lado”, afirma.

De acordo com a resolução, a concessão dependerá de prévio licenciamento do órgão ambiental competente. Os estudos necessários ao processo de licenciamento, conforme prevê a lei, devem ser realizados por profissionais legalmente habilitados, contratados pelo empreendedor. Os projetos podem ser embargados em caso de violação ou inadequação das condicionantes da resolução, caso haja riscos ambientais (incluindo danos ao patrimônio natural) e de saúde graves, e por omissão ou falsa descrição de informações sobre o empreendimento.

O promotor ressalta que empresas do setor de mineração, da silvicultura (implantação e regeneração de florestas) e de parcelamento de solo (loteamentos) já tiveram suas atividades suspensas, pois estavam danificando o patrimônio arqueológico. Ele, porém, não apresentou os dados específicos. “A fiscalização está sendo sistemática e os órgãos de licenciamento ambiental começaram a exigir que a resolução fosse cumprida”, diz.

Marcos Paulo afirma que a dificuldade em localizar os sítios arqueológicos é grande. O que, segundo ele, pode explicar a pouca fiscalização. “Esses locais só tinham coordenadas geográficas. Essa falta de informação georreferenciada dificulta muito as ações”, alega. O trabalho de Delforge, então, pode mudar esse cenário.

Publicado no Hoje em Dia em 12/04/2011 - 09:48

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O MAC completa seu primeiro ano!

A inauguração foi em 10 de abril do ano passado. Algumas metas cumpridas, muitos desafios.  Vamos relembrar algumas reportagens feitas sobre o MAC, em sua inauguração e funcionamento.
O jornal Hoje em Dia foi dos primeiro veículos de comunicação a dar espaço à inauguração do MAC. Ainda em 08/04/10 saiu uma matéria de página inteira, assinada pelo jornalista Douglas Fernandes.  O IBRAM também divulgou a inauguração na revista de museus.
A TV Oeste, de Formiga - MG, afiliada da Rede Minas, levou ao ar uma série de 3 reportagens, assinadas por Bernadete Seixas, sobre a inauguração museu. A TV Alterosa foi uma das primeiras redes de televisão a fazer uma matéria no MAC, que focou nosso trabalho no laboratório de arqueologia.

video

A TV Integração, afiliada da Rede Globo, fez uma belíssima matéria que focou nossa exposição, mas o vídeo foi retirado da rede, infelizmente. A Revista de História da Biblioteca Nacional publicou uma matéria sobre o MAC, assinada por Cristiana Romanelli, em sua edição de julho de 2010. O programa Questões da FUNEDI/UEMG abordou o tema "Museus" em 04/07/2010, fazendo uma reportagem sobre o MAC, que pode ser conferida no vídeo abaixo, ela começa a partir de 10:00 min. de duração.


Tivemos a honra de participar do programa de estréia do "Tem Base! TV", uma reportagem sobre o MAC com o fundo musical da canção Highway to Hell, do grupo de rock AC/DC, a equipe do MAC aprovou e pediu Bis. A reportagem pode ser conferida entre 1:40 min e 4:30 min de duração do vídeo.

 

O MAC agradece a toda equipe da Prefeitura Municipal de Pains, em especial ao Prefeito Ronaldo Gonçalves, à Secretária de Educação Rosa Goulart e ao Secretário de Meio Ambiente Mário Oliveira, e a todos os profissionais, apoiadores e colaboradores, que materializaram o projeto e o sonho deste museu de território. É isso aí: 1 ano, 2.290 visitantes e muitos desafios.


Bolsas de estudo em Salamanca

Enviado por Amir Otoni
 
Prezados/as,
 
Divulgamos em anexo edital sobre bolsas de estudo para mestrado na Universidade de Salamanca, que recebemos por intermédio da Embaixada da Espanha. A orientação que nos foi passada é que interessados preencham os formulários e entrem em contato com a Embaixada.

Secretaria de Relações Internacionais
Partido dos Trabalhadores

Baixe o edital aqui

domingo, 10 de abril de 2011

Apreendido material arqueológico negociado pela internet

'Pedra de raio' foi encontrada em canteiro de obra no Mato Grosso do Sul

Solange Spigliatti
Divulgação
Peça estava sendo negociada por cerca de R$ 50 mil
da Central de Notícias

São Paulo, 8 - Foi apreendido nesta sexta-feira, 8, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, um
material arqueológico lítico que estava sendo negociado em um site de compra e venda pela internet, ao valor de cerca de R$ 50 mil.
Segundo a Polícia Federal, os agentes apreenderam uma "pedra de raio", forma popular como é conhecida o "machado de pedra polida", após receber denúncia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de Campo Grande sobre a comercialização.
A. A. S., de 27 anos, funcionário da empresa responsável pelas obras de contenção às enchentes do córrego Prosa, informou que encontrou, há duas semanas, o material arqueológico no canteiro da obra localizada na Avenida Via Park próximo à Avenida Mato Grosso, no bairro Santa Fé, durante as escavações. De acordo com a PF, a comercialização, em território nacional, de bens arqueológicos obtidos em dissonância com as normas do Iphan, configura o crime de usurpação de bem da união, com pena de detenção, de 1 a 5 anos e multa.
Publicado no Estadão em 08 de abril de 2011 | 16h 16

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Governo volta a discutir Código Florestal na próxima semana

Ana Carolina Oliveira
de Brasília 


O governo vai voltar a discutir na próxima quinta-feira (14) a reforma do Código Florestal Brasileiro. A informação foi dada pelo ministro Wagner Rossi (Agricultura).
O tema foi discutido ontem em uma reunião no Palácio do Planalto, que teve a presença de Wagner Rossi, Antonio Palocci (Casa Civil), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário). Segundo Rossi, o balanço da reunião foi positivo.

Vote na enquete da Folha de São Paulo sobre o Código Florestal

"Houve um avanço muito grande. Acho que estamos muito próximos de um consenso possível. Claro que algumas questões pontuais terão de ir a voto. Cabe ao Congresso Nacional decidi-las", explicou.
Perguntado se Palocci concorda com a votação do Código já na próxima semana, o ministro disse que isso não entrou em discussão. "Foi marcada uma nova reunião sobre pontos que foram levantados e para as quais cada um de nós vai buscar novos argumentos e informações. Isso para que possamos fechar os últimos pontos sobre os quais ainda há alguma divergência", disse.



PROTESTO
Na manhã de hoje ocorreu em Brasília um protesto com cerca de 30 organizações para pedir mudanças na proposta de Código Florestal em tramitação no Congresso. Um abaixo-assinado com mais de 100 mil assinaturas, segundo as organizações, foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).
Os grupos defendem propostas como tratamento diferenciado para a agricultura familiar, fim da anistia para desmatamentos feitos em áreas de preservação permanente até 2008 e redução no uso de agrotóxicos.
Na terça-feira, a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) reuniu produtores rurais em Brasília para pedir a aprovação da proposta já apresentada pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Publicado na Folha de São Paulo em 07/04/2011 - 16h22

 


Canoa, Canoa

Mais uma bela canção de Nelson Ângelo (ouça Testamento) em parceria com Fernando Brant, reverberações da etnologia em forma de poesia. 'Canoa, Canoa' integra o álbum duplo Clube da Esquina 2, clássico que encerra a fase de Milton Nascimento na gravadora EMI-Odeon.



Canoa, Canoa
composição: Nelson Angelo e Fernando Brant
violão e vozes: Milton Nascimento
violão: Nelson Angelo e Paulo Jobim
piano: Wagner Tiso
baixo: Novelli
flauta: Danilo Caymmi
bateria: Nenê
bambu e pios: Pedro dos Santos
celli: Márcio Mallard, Watson Clis, Jacques Morelenbaum e Alceu Reis
coro: Milton Nascimento, Novelli, Nelson Angelo e Lô Borges
arranjo vocal: Milton Nascimento

orquestração e regência: Nelson Ângelo

Canoa canoa desce
No meio do rio Araguaia desce
No meio da noite alta da floresta
Levando a solidão e a coragem
Dos homens que são
Ava avacanoê
Ava avacanoê

Avacanoeiro prefere as águas
Avacanoeiro prefere o rio
Avacanoeiro prefere os peixes
Avacanoeiro prefere remar
Ava prefere pescar
Ava prefere pescar
Dourado, arraia, grumatá
Piracará, pira-andirá
Jatuarana, taiabucu
Piracanjuba, peixe-mulher

Leia também:
Promessas do Sol
Um dia joguem minhas cinzas na corrente desse rio

sábado, 2 de abril de 2011

Wai'á e o Mundo Xavante

Os Xavante são um grupo indígena falante da língua Akwen, pertencente à família Jê. São "parentes" dos Xerente e Xacriabá e, ainda no século XVIII, foi documentada sua presença no Triângulo Mineiro e noroeste de Minas Gerais. Atualmente ocupam o leste do Estado do Mato Grosso, nas bacias dos rios Kuluene, Xingu, das Mortes e Araguaia. Os Xavante tem um profundo envolvimento com suas canções e sua música foi estudada em profundidade pelo Prof. Desidério Aytay. Uma pequena amostra de seu vasto repertório pode ser conferida no CD Etenhiritipá - Cantos da Tradição Xavante. Abaixo, um documentário sobre o ritual denominado Wai'á, intitulado Wai'á e o Mundo Xavante, foi lançado em 2000 e integra a série Vídeo nas Aldeias, exibida na TV Cultura.

Sugestão de Rafael Santos


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pesquisadores da UFSJ podem ter descoberto novo sítio paleontológico

O coordenador do GEPHIS observa descoberta.
Integrantes do Grupo de Estudos da Pré-História (GEPHIS), do Departamento de Ciências Sociais da UFSJ, descobriram pegada fossilizada de padrão Theropoda no entorno rural do município de Dores de Campos. Trata-se de descoberta inédita naquela região, que pode indicar a existência de um sítio paleontológico até então inexplorado.
Segundo o coordenador do GEPHIS, professor Moisés Romanazzi Tôrres, a pegada permite deduzir que um dinossauro de grande porte, muito provavelmente carnívoro, habitou a região. “O padrão indica que o animal pisou em ângulo inclinado, voltado para a esquerda, afundou completamente o pé e mesmo a parte inferior da perna”, destaca.
Contatado pelo proprietário rural Josino Élcio, Moisés e mais três alunos do GEPHIS – Adriana Pereira, Herbert Custódio e Rivelino Miranda – visitaram o sítio e coletaram as características básicas do que viram: uma pegada isolada, tridáctila, em formato de dígitos espalmados, digitígrada, preservada em profundidade (46 cm), medindo aproximadamente 1,52 m de comprimento por 1,23 m de largura. “No dígito esquerdo e no do meio aparecem, nitidamente, as garras. O dígito direito não está tão bem preservado”, informa Moisés Tôrres, responsável por identificar e caracterizar a pegada.
A equipe coletou fragmentos do sedimento para posterior análise química, o que vai permitir a reconstrução paleoambiental. E já preparam artigo para informar a comunidade científica sobre a descoberta. “Vamos também enviar projeto de pesquisa aos órgãos de fomento para assegurarmos o financiamento das etapas subsequentes, que abrangem a moldagem da pegada e a construção de um cercado coberto para sua proteção”, avisa o coordenador.
 
Mais informações: (32) 3379-2459. O Grupo de Estudos da Pré-História funciona no Campus Dom Bosco, em São João del-Rei.

Publicada em 27/03/2011
Fonte: ASCOM

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PROTEJA A SERRA DO GANDARELA!

Movimento em defesa da Serra do Gandarela

Entenda o Caso

A serra do Gandarela é uma área que abriga o manancial mais significativo para abastecimento público de água pura para toda BH, região e colar metropolitanos (à exceção dos mananciais de Catarina e Morro Redondo, em bem menor quantidade, as demais já sofrem problemas de contaminação, e as represas estão sendo paulatinamente assoreadas).
 
Documento do IEF, “Identificação de áreas prioritárias para implantação de Áreas Protegidas e Corredores Ecológicos do setor Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte ”(RMBH) – contratado à Sere Meio Ambiente Ltda. e à Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), registra a seguinte descrição sobre a Serra do Gandarela:
 
"Trata-se de uma ampla região com baixa ocupação antrópica, havendo extensos e diversos ambientes naturais preservados. Concentra-se neste Setor um grande número de cursos d’água contribuintes da margem direita do rio das Velhas, representando significativo volume de água utilizado no abastecimento da população da Região Metropolita na de Belo Horizonte. Esta água é captada pela Copasa na ETA de Bela Fama e é considerada a fonte mais importante de abastecimento da RMBH, captada na bacia do rio das Velhas."
 
No referido documento, faz-se ainda a seguinte afirmação sobre a Serra do Gandarela:
 
"Nesta região estão os principais contribuintes da margem direita do rio das Velhas a montante da captação de Bela Fama, um dos principais pontos de captação de água da região metropolitana de BeloHorizonte. A preservação desta região é a garantia de manutenção deste importante manancial hídrico."

É neste complexo de serras e águas que a empresa Vale planeja instalar a mina Apolo, que ficaria localizada entre os municípios de Santa Bárbara, Caeté, Rio Acima e Raposos.
Esses locais, por suas cachoeiras e riquezas naturais, complexa e bem preservada biodiversidade (campos rupestres sobre cangas e a maior área de Mata Atlântica da RMBH), têm atraído, de forma crescente, o turismo espontâneo de finais de semana e a atenção da comunidade científica e preservacionista.
Iniciativas e atividades compatíveis com o desenvolvimento sustentável e a preservação das características da região vêm sendo motivadas e criadas, com o crescimento do número de visitantes, de pousadas, restaurantes, produção e comercialização de artesanato e produtos agro-familiares locais, e outras atividades relacionadas ao ecoturismo e ao complexo cultural e arqueológico ali existente.
A grande beleza paisagística, altas declividades, grutas e várias quedas d'água, um sítio paleontológico, campos rupestres, matas de galeria e densa área de Mata Atlântica no platô da Serra do Gandarela, todos muito preservados e guardando animais de várias espécies e portes, muitos dos quais em vias de extinção, fazem da Serra do Gandarela um local de inestimável importância.
 
O Gandarela é também uma área natural mediterrânea entre vários núcleos históricos significativos do período do ouro, a exemplo de Caeté, com seu histórico distrito de Morro Vermelho, de Santa Bárbara e caminhos que levam a Catas Altas, Ouro Preto, Raposos e Rio Acima, além de ruínas de instalações antigas de minas, casas-forte entre diversas outras instalações.
Algumas cachoeiras são muito conhecidas - a de Santo Antônio, entre Caeté e Raposos, a do Índio e Vianna (em Rio Acima), a da Chica Dona (na divisa de Rio Acima e Itabirito, as do Tangará, em Rio Acima e as de André do Mato Dentro (Santa Bárbara).
Alguns destes córregos e ribeirões (todos nascem nas faldas da Serra do Gandarela), como o Ribeirão da Prata, os córregos Mingu, Viana, Cortesia e Palmital/Água Limpa (Rio Acima), Maquiné, Gandarela e Maria Cassimira (Caeté e Santa Bárbara) dispõem de grande número de pequenas quedas, poços e cachoeiras – alguns dos quais, de rara beleza. E todas elas, com grande qualidade ambiental e águas das classes Especial e 1, as melhores.
Em Santa Bárbara e Rio Acima, há também, no interior da Serra do Gandarela um importante sítio paleontológico, considerado de importância mundial - com fósseis de vegetação que ocorreu na região entre 10 a 40 milhões de anos passados. A maior parte dele está no território de Santa Bárbara e é protegida por tombamento municipal (Conjunto Natural, Paisagístico e Paleontológico - Bacia do Gandarela).
A população de Raposos tem, como principal bem e potencial de lazer e turismo da cidade, o Ribeirão da Prata, que possui grande quantidade de água, cachoeiras e um paredão de rocha formando um canyon deslumbrante.
 
É nas cabeceiras deste ribeirão, poucos metros acima da cachoeira de Santo Antônio, que a Vale planeja fazer a barragem de rejeitos da pretendida Mina Apolo e despejar o esgoto "tratado" do alojamento para mais de 2000 homens.
Diante da importância ecológica, cultural e hídrica desta região, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal responsável pelas unidades de conservação, recebeu em 2009 a proposta e está avaliando a criação do Parque Nacional Águas da Serra do Gandarela.
A criação do parque é considerada de grande importância, seja pelo patrimônio natural e cultural existente, como pelo fato de o Brasil não dispor de nenhuma unidade federal de destaque, reunindo campos rupestres sobre cangas ferruginosas no contexto do bioma Mata Atlântica.
Este assunto tem sido motivo de grande discussão nas ruas, faculdades, escolas, além do apoio de várias ongs, movimentos sociais e ambientais.

Paticipe do Abaixo Assinado em defesa da Serra do Gandarela, maiores informações aqui.