Modelo 3D - Cálice funerário Jê

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) manifesta seu repúdio à PEC 65/2012

A Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) vem a público manifestar seu repúdio a Proposta de Emenda à Constituição 65/2015 que extingue o processo de licenciamento ambiental de obras públicas, colocando em risco o Patrimônio Arqueológico brasileiro, impactando as populações indígenas, quilombolas e tradicionais do Brasil.

Com a justificativa de “para assegurar a continuidade de obra pública após a concessão da licença ambiental”, o senador Acir Gurgacz (PDT/RO), propôs a PEC em dezembro de 2012 e seu parecer favorável, elaborado pelo senador Blairo Maggi (PR/MT), foi aprovado no dia 27/04/2016 na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ).

A proposta segue para a apreciação no plenário do Senado, onde ainda pode sofrer alterações.

Em face a tragédia de Mariana que marcará para sempre o Brasil, a SAB acredita que suprimir a exigência do licenciamento ambiental em obras públicas acabará deixando ainda mais suscetíveis a tragédias como a de 2015, ameaçando, da mesma maneira, o meio ambiente, o patrimônio arqueológico e as comunidades. À que custo aceleraremos obras no país? Ao final, essas obras representarão mesmo o desenvolvimento do Brasil ou no futuro lamentaremos outros desastres?

Dessa maneira, conclamamos os arqueólogos a votarem massivamente na pesquisa realizada pelo Senado a respeito da PEC 65/2012 e na petição do Avaaz:


Além das articulações com os senadores parceiros, SAB também está enviando cartas a cada um dos 81 senadores e à ouvidoria do Senado e pede para que seus sócios façam o mesmo. Envie mensagens contrárias à PEC 65/2012 à ouvidoria do Senado por meio do site http://www12.senado.leg.br/institucional/ouvidoria e mande e-mails aos senadores, os contatos podem ser encontrados em http://www.senado.gov.br/transparencia/LAI/secrh/parla_inter.pdf




Flávio Rizzi Calippo
Presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira
Gestão 2016 - 2017

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Modelo 3D para as pinturas do abrigo Posse Grande

G. Henriques

Fruto de uma parceria entre a empresa Rolling Drone Geotecnologias e o Museu Arqueológico do Carste (MAC), foi feito um modelo 3D (em três dimensões) do painel de pinturas rupestres do abrigo de Posse Grande, um sítio arqueológico localizado no Distrito de Corumbá, na divisa entre os Municípios de Arcos e Pains - MG. Talvez o sítio arqueológico mais significativo em termos de quantidade e diversidade de grafismos rupestres de todo o Carste do Alto São Francisco, território que ocupa uma área com cerca de 1.500 km².

Seu painel de pinturas rupestres apresenta centenas de figurações. Os temas representados são majoritariamente zoomorfos (animais), seguidos de figuras abstratas e antropomorfos (humanas). As cores predominantes são o vermelho, o amarelo e o branco.

Os temas representados alinham estas pinturas com a Tradição Planalto, a qual tem ampla dispersão no Planalto Central. Mas o fator que as destoa de registros semelhantes em outras regiões é a combinação de duas cores contrastantes, além da utilização de preenchimentos elaborados. Esta forma de tratamento colorido evoca a Tradição São Francisco, presente em todo o vale do rio homônimo.

Essas pinturas podem ser interpretadas como representações ritualísticas de passagens do cotidiano de grupos caçadores-coletores do Período Arcaico, que teriam ocupado a região entre 9.000 e 7.000 anos atrás. As representações de cervídeos flechados, por exemplo, evocariam cenas de caça. As figuras humanas poderiam estar representando tanto indivíduos com pintura corporal, quanto divindades mitológicas.

Clique na imagem para ampliar. 1. Painel principal com pinturas rupestres, sítio arqueológico Posse Grande. 2 e 3. Operação do drone para o levantamento fotogramétrico, que consiste na captação sistemática de imagens.

O modelo 3D permite que qualquer pessoa, em qualquer parte do globo, a partir de um computador, possa fazer uma visita ao sítio arqueológico, contemplando as pinturas em um ambiente virtual que simula a tridimensionalidade do painel com alta fidelidade. É uma tremenda ferramenta de divulgação do patrimônio cultural arqueológico de nossa região, funcionando ainda como ferramenta de pesquisa tanto para estudantes quanto para profissionais do meio.

Todo o trabalho de levantamento fotogramétrico e elaboração do modelo 3D foi feito por Paulo Rodrigo Simões, da Rolling Drone Geotecnologias. O MAC forneceu acesso a seu acervo e assessoria técnica através do arqueólogo da instituição, Gilmar Henriques, que municiou o modelo com informações e textos sobre o sítio arqueológico e seu registro pictural.

Para ver o Modelo 3D do sítio arqueológico Posse Grande em português clique aqui.

Para ver o Modelo 3D do sítio arqueológico Posse Grande em inglês clique aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Museu recebe visita de integrantes do IEF

  
No último dia 09, o MAC recebeu a visita de 25 integrantes do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF), que atuam na região do Alto São Francisco. O grupo participou de uma visita guiada à exposição permanente do museu, denominada: "Pré-histórica do Carste do Alto São Francisco: 12.000 anos a serem desvendados", na qual os visitantes tiveram um contato direto com vários objetos e materiais coletados em escavações arqueológicas de nossa região.
  
Na sala de audiovisual o grupo assistiu a uma palestra que discorreu sobre a arqueologia regional do Carste do Alto São Francisco e as ações do Museu Arqueológico do Carste, desde sua inauguração no ano de 2010. A apresentação se centrou sobre a importância da paisagem cárstica para as pesquisas arqueológicas executadas na região, e sobre a importância da Arqueologia na construção do conhecimento sobre a História Indígena no Brasil.
  
Recordações do Museu:
     
Slides da palestra sobre a Arqueologia
Regional e as ações do MAC.
Para ver ou baixar clique aqui.

Guia da exposição permanente do MAC.
Para ver ou baixar clique aqui.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Museu recebe a visita de alunos da FASF, da cidade de Luz

O MAC recebeu, em 15 de novembro, a visita de 15 alunos de graduação da Faculdade de Filosofia e Letras do Alto São Francisco (FASF), instituição educacional sediada na cidade de Luz - MG. A visita foi organizada pelo professor Miguel Ângelo.

No museu o grupo participou de uma visita guiada à nossa exposição permanente, intitulada "Pré-histórica do Carste do Alto São Francisco: 12.000 anos a serem desvendados", na qual os estudantes tiveram um contato direto com vários objetos e materiais coletados em pesquisas arqueológicas realizadas em nossa região. Após a visita guiada, a turma foi encaminhada para a sala de áudio visual do MAC, aonde o arqueólogo Gilmar Henriques lhes apresentou uma palestra sobre a arqueologia regional do Carste do Alto São Francisco, e as ações que vem sendo realizadas no MAC, desde sua fundação.

Após a estada no MAC, o grupo empreendeu ainda uma atividade de campo, visitando as paisagens cársticas do vale do Ribeirão do Patos, na região da Gruta do Brega, zona rural do município de Pains - MG.

Clique na imagem para ampliar. Exposição permanente do MAC. 1. Sala introdutória, com colar indígena arqueológico. 2 e 4. Sala das cerâmicas indígenas arqueológicas. 3. Sala do simbólico, reprodução fotográfica do painel rupestre do sítio arqueológico Posse Grande. 4. Sala da Geoarqueologia: o Carste do Alto São Francisco em mapas, desde o século XVIII até o século XXI d.C.
     
Slides da palestra sobre a Arqueologia
Regional e as ações do MAC.
Para ver ou baixar clique aqui.

Guia da exposição permanente do MAC.
Para ver ou baixar clique aqui.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MAC participa do Projeto Educar em Pains

Em 20 de outubro passado o MAC participou do Projeto Educar, na cidade de Pains - MG. Ele consiste em um programa de Educação Patrimonial que é sugerido aos municípios de Minas Gerais pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG). A adesão do município de Pains foi feita pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, aonde é coordenado pela educadora Renata de Paula. São várias as ações realizadas ao longo desse ano de 2015: aulas introdutórias, palestras temáticas sobre patrimônio cultural local, votação da comunidade para eleger um tema de estudo (clique aqui), visita a bens culturas do município, realização de feira de cultura, etc.

Clique na imagem para ampliar. A educadora Renata de Paula faz uma apresentação a estudantes da Vila Costina, discutindo as noções de patrimônio cultural e a importância do patrimônio cultural de Pains para seus moradores.

A participação do museu foi no sentido de reforçar a importância do patrimônio cultural arqueológico identificado e estudado no sítio arqueológico Gruta do Marinheiro que, apesar de estar na zona rural do município de Pimenta, fica muito próximo ao Distrito da Vila Costina, que por sua vez fica na zona rural do município de Pains. O arqueólogo do MAC, Gilmar Henriques, juntamente com a educadora Renata de Paula, montaram uma palestra com o tema: "O que é patrimônio cultural, porque conhecer e cuidar?". Ela foi apresentada no Colégio Estadual Pe. José Venâncio, pela manhã e pela tarde, a estudantes do Ensino Médio e Fundamental, e que são moradores no Distrito da Vila Costina. Depois das palestras, cada grupo de estudantes participou de uma visita guiada à exposição permanente do MAC, intitulada "Pré-histórica do Carste do Alto São Francisco: 12.000 anos a serem desvendados", aonde puderam conferir as 70 pontas de flecha coletadas em escavações na Gruta do Marinheiro.


Clique na imagem para ampliar. Localização do sítio arqueológico Gruta do Marinheiro, na região da Vila Costina, no vale do Ribeirão dos Patos, zona rural do município de Pimenta - MG, no território do Carste do Alto São Francisco. Modificado do Google Earth e Wikimedia Foundation.

Clique na imagem para ampliar. Mapeamento da Gruta do Marinheiro, na qual podem ser vistas as respectivas localizações das escavações arqueológicas e do painel de gravuras rupestres. O mapa foi feito por espeleólogos da cidade de Pains, desenho de Fabrício Hendrigo.
 
A Gruta do Marinheiro é um sítio arqueológico multicomponencial, que ocupa uma cavidade natural situada no topo de uma colina suave, em cujo flanco afloram formações rochosas de calcário, no vale do Ribeirão dos Patos, zona rural do município de Pimenta - MG. Ele tem cerca de 700 m² de área abrigada, além de zonas a céu aberto e condutos subterrâneos. É o maior sítio pré-cerâmico da região do Carste do Alto São Francisco. Foram escavados 20 m² de sua superfície, resultando em dezenas de milhares de peças líticas - ferramentas e refugo de atividades de lascamento de rochas variadas - dois sepultamentos humanos secundários, ossos de animais, amostras de solo arqueológico e carvões.
 
Clique na imagem para ampliar. 1. Escavações arqueológicas na zona abrigada da Gruta do Marinheiro. 2. e 4. Praticamente todas as pontas de flecha líticas foram encontradas nos setores Sul e Norte da Escavação 3 (Esc. 3). 3. Todo o sedimento foi cuidadosamente peneirado para resgatar pequenos vestígios arqueológicos.
 
A Gruta do Marinheiro guarda ainda uma preciosidade: um painel de arte rupestre composto por gravuras pré-históricas. As gravuras foram produzidas pela ação percussiva, contínua e puntiforme  de um cinzel de pedra, ou alguma ferramenta do tipo, resultando em figurações lineares, "abstratas", em baixo relevo. Não há datações diretas para tais gravuras, mas, geralmente, registros semelhantes, conhecidos no Estado de Minas Gerais, são atribuídos a grupos caçadores-coletores muito antigos (clique aqui e aqui). Sendo assim tais gravuras podem ter milhares e milhares de anos de idade. É um registro arqueológico muito raro. Para se ter uma ideia, em todo o Carste do Alto São Francisco, ao longo de 1.500 km², é conhecida apenas uma dezena de sítios arqueológicos com presença de arte rupestre indígena.

Clique na imagem para ampliar. 4. Painel com arte rupestre da Gruta do Marinheiro. 5 e 6. Contém gravuras, figuras lineares, feitas em baixo relevo, utilizando a técnica do picoteamento.
  

Datações radiocarbônicas da Gruta do Marinheiro.
Praticamente a totalidade das pontas de flecha líticas, coletadas na Gruta do Marinheiro, provêm das PartesSul e Norte da Escavação 3 (Esc. 3) - , em uma faixa estratigráfica que vai desde a superfície até 70 cm de profundidade. A maior parte das pontas foi encontrada nas camadas estratigráficas mais profundas do sítio arqueológico, que foram datadas em mais de 9.000 anos "antes do presente" (AP).

O local parece ter sido um ponto de produção, acabamento e, talvez, troca de artefatos entre grupos caçadores coletores do período Arcaico. A coleção de pontas de projétil, encontradas no local denotam esmero técnico, pode se dizer que algumas delas exigiram um verdadeiro trabalho de lapidação, para que atingissem propriedades de simetria e balística que fossem satisfatórias.

Depois de ter sido estudado por um projeto de Mestrado e outro, de Doutorado, ambos desenvolvidos pelo arqueólogo Edward Koole, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), todo o acervo arqueológico coletado na Gruta do Marinheiro foi guardado no Museu Arqueológico do Carste (MAC), em Pains. A coleção de pontas de projétil passou por uma curadoria e foi integrada à exposição permanente do museu, e atualmente pode ser vista diariamente pelo público.

Clique na imagem para ampliar. Depois de passarem por um trabalho de curadoria e análise tecno-tipológica, as pontas de flecha foram guardadas no MAC, aonde passaram por um processo de musealização, hoje elas estão expostas ao público na exposição permanente do museu. Imagem da esquerda extraída de Koole, 2007.

Para saber mais:
KOOLE, Edward.
Entre as tradições planálticas e meridionais... Tese de doutorado. São Paulo: MAE/USP, 2014. 416 p. (Para acessar clique aqui)
Pré-História da província cárstica do Alto São Francisco, Minas Gerais: a indústria lítica dos caçadores-coletores arcaicos. Dissertação de Mestrado. São Paulo:
MAE/USP, 2007. 156 p. (Para acessar clique aqui)
     

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Museu recebe a visita da E. E. da Vila Boa Vista, de Arcos

No último dia 09, o MAC recebeu a visita de 27 alunos do 7º. ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual da Vila Boa Vista, da cidade de Arcos - MG. A visita foi organizada pelos professoras Ezequiela e Fabiana.

No museu o grupo participou de uma visita monitorada à nossa exposição permanente, intitulada "Pré-histórica do Carste do Alto São Francisco: 12.000 anos a serem desvendados".

Clique na imagem para ampliar. 1. Turma do 7º. ano em frente à sede do museu. 2. Sala da cerâmica indígena arqueológica. 3. e 4. Sala dos símbolos: registro fotográfico das pinturas rupestres do sítio arqueológico Posse Grande, situado em Arcos (3); grande urna funerária do sítio arqueológico Ninhal, situado em Iguatama (4).
 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Extensão Profissional em Gestão do Patrimônio Cultural

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Texto: ONG Ponto Terra
Finalmente, o primeiro de muitos cursos que serão realizados pela ONG Ponto Terra, com a proposta de “Extensão Profissional em Gestão do Patrimônio Cultural no Licenciamento Ambiental de Empreendimentos: Patrimônio Material e Imaterial”. Este primeiro curso será ministrado pelo Professor Alexandre Delforge. 

Cada curso terá a carga horária de 20 horas e serão divididos por temática. O aluno interessado poderá realizar um curso isolado, uma temática ou todas as temáticas, recebendo certificados de 20 horas por curso avulso, 80 horas, 120, 180, 360 ou 420 horas.

A proposta completa do curso é:

Área 1 - Patrimônio Arqueológico no licenciamento (180h):
História da Arqueologia
Gerenciamento do P.A.
Patrimônio cerâmico: caracterização e preservação.
Patrimônio em Arte Rupestre: caracterização e preservação.
Patrimônio Lítico: caracterização e preservação.
Patrimônio Arqueológico Histórico: caracterização e preservação
Patrimônio Histórico Industrial: caracterização e preservação.
Critérios de recuperação de áreas degradadas.
Visitação aos sítios arqueológicos.

Área 2 - Patrimônio Imaterial no Licenciamento (100 h):
Caracterização do patrimônio Imaterial
Gerenciamento do PI
Legislação do PI -0 Estadual (MG)l e Federal
Visitação a grupos culturais registrados
Estudos de caso

Área 3 - Patrimônio edificado (140h):
Caracterização do PE
Gerenciamento do PE
Patrimônio móvel ou integrado caracterização e gerenciamento
Princípios de Restauro arquitetônico
Princípios de Restauro de Obras de Arte
Legislação do PE e do PMI - Estadual (MG) Municipal (BH) e Federal.
Visitação a Núcleo urbano tombado e a imóvel tombado isoladamente. (80 h)

Contamos com vocês!

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Curso de desenho para arqueólogos

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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Expansão do Museu

G. H.
 
Em 28 de setembro tiveram início as obras de expansão do Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco (MAC). A Prefeitura Municipal de Pains está pavimentando toda a área que fica em frente ao museu, são obras que integram a implantação do Parque Natural Dona Ziza, no qual o museu está inserido.

Já a empresa Imerys iniciou a construção de um edifício destinado a ser uma reserva técnica do MAC. A obra é fruto de um acordo celebrado entre a Imerys e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / Superintendência de Minas Gerais (IPHAN/MG), que recomendou a expansão da reserva técnica do museu.

O projeto arquitetônico da nova reserva técnica foi elaborado pela Insight Arquitetura, sob a coordenação da arquiteta Cristiane L. Henriques. A fachada do edifício seguirá traços da arquitetura contemporânea, justamente para contrastar com os traços do edifício sede do MAC, um típico exemplar da arquitetura rural colonial brasileira. As obras estão sob responsabilidade da empresa Varanda Rabelo Construtora. O novo edifício terá uma área construída de 105 m².

Clique na imagem para ampliar. Obras de expansão do museu: pavimentação da área em frente ao museu e implantação da nova reserva técnica, com detalhes dos projeto arquitetônico.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vem aí o 8º Encontro Estadual de Museus de Minas Gerais

O 8° Encontro Estadual de Museus de Minas Gerais, evento promovido pela Secretaria de Estado de Cultura/MG e Superintendência de Museus e Artes Visuais, será realizado nos dias 29 e 30 de setembro de 2015, no teatro da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, em Belo Horizonte/MG.  
Com o temática Arquitetura de Museus, a edição de 2015 do Encontro Estadual de Museus de Minas Gerais,tem como objetivo ampliar e possibilitar o diálogo do arquiteto com os profissionais envolvidos no âmbito museológico nas construções e adaptações de espaços de museus, e discutir as necessidades do campo que circunda o tema: o planejamento dos espaços, a metodologia dos projetos a serem executados, além de sua manutenção e a sustentabilidade.
Pretende também, abordar nas quatro mesas redondas previstas para os dois dias do evento, questões como: a formação dos profissionais envolvidos nos projetos dos museus, experiências diversas de equipes interdisciplinares e a relação do edifício com o seu acervo.
Programação:
29 de setembro – Terça-feira
Mesa 1 – Arquitetura de Museus
Mesa 2 – A formação na arquitetura de Museus
30 de setembro – Quarta-feira
Mesa 3 – Projetos Arquitetônicos de Museu: metodologias e interdisciplinaridade
Mesa 4 – Arquitetura e acervo: possíveis interfaces
Em breve encaminharemos a programação completa do evento e a ficha de inscrição.
Angelina Gonçalves
Assessora de Comunicação - Conrerp 3ª / 928
Superintendência de Museus e Artes Visuais
Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais
Av. João Pinheiro, 342 - Funcionários
30.130-180 - Belo Horizonte - MG
Tel: (31) 3269-1109 / 8876-8987

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ossadas humanas pré-históricas retornam a Pains

Reconstituição fisionômica de Luzia,
por Richard Neave (LEEH/IBUSP)


Em julho passado, uma equipe do MAC esteve no  Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos (LEEH) do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IBUSP), a fim de realizar o traslado dos restos esqueletais provenientes de dois sepultamentos pré-históricos escavados no sítio arqueológico Loca do Suim.

A Loca do Suim é uma gruta situada no Morro da Menina, uma enorme formação calcária, um marco de paisagem, localizada na zona rural do município de Pains - MG. O sítio foi alvo de escavações arqueológicas entre os anos de 2003 e 2005, no âmbito de um projeto de mestrado desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Arqueologia do MAE, Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (clique aqui).

Estas escavações resultaram na coleta de material lítico, ossos de pequenos animais, sedimento arqueológico e dois sepultamentos humanos. Não havia, à época destas escavações, um museu que pudesse receber estes esqueletos, seja na região de Pains, seja no Estado de Minas Gerais. Foi quando o Prof. Walter Neves, coordenador do LEEH/IBUSP, aceitou receber e guardar os restos ósseos coletados na Loca do Suim. E não apenas isso, foi feita a curadoria e análise de todo o material, a fim de se identificar o número mínimo de indivíduos, seu sexo e a presença de patologias ósseas. Tais procedimentos foram descritos e tiveram seus resultados sintetizados em um relatório de curadoria produzido pelo LEEH¹.

Clique na imagem para ampliar. 1. Planta baixa e perfil longitudinal da entrada da Loca do Suim, zona abrigada que guarda a totalidade do registro arqueológico identificado neste sítio. 2. Foto tomada na direção norte e que apresenta a área do sítio que foi alvo de escavações arqueológicas. 3. Pesquisadores trabalham na "Área 1". 4. Aspecto da escavação da "Área 1", da qual foram retirados os dois sepultamentos humanos pré-históricos.

Ambos os sepultamentos estavam muito fragmentados. Devido a sua antiguidade, comentada abaixo, estas estruturas arqueológicas, os sepultamentos, foram perturbados por eventos pósdeposicionais. Não há, por exemplo, crânios estruturados, mas apenas fragmentos. A curadoria constatou que em um dos sepultamentos, o Sep-I, haviam ossos de quatro indivíduos. Dois adultos: um homem com cerca de 20 anos de idade, e uma mulher com cerca de 45 anos de idade; além de duas crianças: um recém nascido e uma criança com cerca de 5 anos de idade. O esqueleto da mulher, denominado Sep-IB, é peculiar, pois foi cremado. Segundo o bioantropólogo André Strauss, que visitou o MAC há alguns meses, tais restos esqueletais constituem um dos mais antigos registros materiais de cremação do continente sul-americano. Já no outro sepultamento, o Sep-II, foram encontrados os restos esqueletais de apenas um indivíduo com cerca de 23 anos de idade, não tendo sido possível determinar seu sexo.

(LEEH/IBUSP)
(LEEH/IBUSP)
O LEEH custeou ainda duas datações radiocarbônicas, feitas a partir de fragmentos de ossos de ambos os sepultamentos. As amostras foram enviadas para o laboratório Beta Analytic, sediado na cidade de Miami, Estado da Flórida, nos EUA. O sepultamento I (Sep-I) teve sua datação radiocarbônica mensurada em 7.440 ± 50 antes do presente (AP) e a datação do sepultamento II (Sep-II) foi mensurada em 7.530 ± 50 AP. Ambas as datas foram calibradas, método que cruza os resultados das datações com um quadro cronológico da flutuação dos níveis do elemento químico Carbono 14 (C¹⁴) na atmosfera, permitindo relocar as datas para um marco temporal mais preciso. Pois essa calibração recuou as datas dos dois sepultamentos: ao Sep-I foi atribuída uma idade situada entre 8.160 e 8.360 anos e ao Sep-II foi atribuída uma idade situada entre 8.200 e 8.400 anos AP.

Todo este importante patrimônio cultural arqueológico foi trasladado para o Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco (MAC), na cidade de Pains - MG, aonde permanece depositado na reserva técnica destinada exclusivamente a materiais arqueológicos orgânicos, sala permanentemente fechada e climatizada. Quando a equipe do MAC foi buscar o material arqueológico na cidade de São Paulo -SP, ela teve a oportunidade de conhecer as instalações do LEEH e a exposição sobre evolução humana exibida nos corredores do IBUSP. Foi possível conhecer sepultamentos humanos pré-históricos que foram escavados no município de Lagoa Santa - MG, e que atualmente estão sob análise e estudo no LEEH. Foi mostrado também o esqueleto de uma preguiça gigante, animal extinto há milênios, da espécie Cantonyx cuvieri, que fora meticulosamente escavada e coletada no sítio paleontológico Gruta Cuvieri.

Clique na imagem para ampliar. 1. a 3. Imagens do LEEH/IBUSP. 1. O pesquisador técnico Max Ernani se debruça sobre um esqueleto humano pré-histórico escavado no município de Lagoa Santa - MG. 2. e 3. Esqueleto de uma preguiça terrícola, gigante, pleistocênica, da espécie Cantonyx cuvieri, meticulosamente escavada e coletada no sítio paleontológico Gruta Cuvieri, a qual foi redescoberta e pesquisada pelo LEEH, no município de Lagoa Santa - MG. 4. Os dois sepultamentos pré-históricos da Loca do Suim estão agora depositados na reserva técnica do MAC, exclusiva para materiais arqueológicos orgânicos, ela permanece fechada e climatizada.
G. H.


¹ STRAUSS, André. M. & GLÓRIA, Pedro J. T. Relatório de Curadoria: esqueletos da Loca do Suim, Pains - MG. São Paulo: LEEH/IBUSP, 2007. In: KOOLE, Edward K. M. Pré-história da Província Cárstica do Alto São Francisco, Minas Gerais: a indústria lítica dos caçadores-coletores arcaicos. Anexo à dissertação de metrado. São Paulo: MAE/USP, 2007. p. 128-39.

Leia Também:
NEVES, Walter & PILÓ, Luís B. O Povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos. São Paulo: Globo, 2008. 333 p.